LEVANTAMENTO DOCUMENTAL — MATERIAL-BASE DA PESQUISA Transcrição dos 25 registros fornecidos para elaboração do site. As referências bibliográficas individuais não foram fornecidas no material-base. 01. Barco de Fogo Localidade: Estância História: Manifestação exclusiva de Estância, ligada ao ciclo junino. O Barco de Fogo é reconhecido como patrimônio cultural/imaterial de Sergipe pela Lei nº 7.690/2013; Estância recebeu o título de Capital Sergipana do Barco de Fogo pela Lei nº 8.650/2020; e o bem foi incluído no Calendário Oficial Cultural do Estado pela Lei nº 7.301/2011. Sua origem é associada a Francisco da Silva Cardoso, o Chico Surdo, nascido em 11 de junho de 1907. Contribuições: Forte símbolo identitário de Estância e dos festejos juninos sergipanos. Em 11 de junho, dia ligado ao nascimento de Chico Surdo, fogueteiros soltam barcos na Praça Barão de Rio Branco; a Prefeitura registra concurso próprio do Melhor Barco de Fogo e ações de valorização turística e cultural. 02. Batucada Buscapé / Busca-pé Localidade: Estância História: Grupo de origem estanciana, fundado por Dona Zefinha há mais de quatro décadas; a Alese registra que o grupo foi criado em 1985 e possui 46 componentes. A manifestação mistura percussão, repentes e batidas fortes com tamancos de madeira. Contribuições: Impacto direto na transmissão geracional: o grupo inclui crianças e adultos; o integrante mais novo tinha quatro ou cinco anos nos registros oficiais. Fortalece a memória do ciclo do fogo, do pisa-pólvora e do São João de Estância. 03. Trio pé-de-serra / Matrizes Tradicionais do Forró Localidade: Todo o estado; presença forte no ciclo junino História: As Matrizes Tradicionais do Forró foram registradas pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil. O trio pé-de-serra, também chamado de trio gonzagueano, é formado por sanfona, zabumba e triângulo, podendo dialogar com pífano, rabeca e fole de oito baixos. Contribuições: Gera trabalho para músicos, movimenta festas juninas, quadrilhas, arraiais, concursos e turismo cultural. O parecer técnico do IPHAN registra a presença das matrizes do forró em Sergipe e destaca a ampla rede de músicos, dançarinos, compositores, pesquisadores e apreciadores. 04. Marinete do Forró Localidade: Aracaju História: Manifestação urbano-turística junina de Aracaju. A Prefeitura registra que a Marinete do Forró foi idealizada há 24 anos e realiza roteiro turístico com decoração junina, música ao vivo, trio pé-de-serra e casal de quadrilheiros. Contribuições: Fortalece o turismo cultural da capital, pois reúne city tour, forró, dança junina e interação com turistas e moradores. A Prefeitura informa que a Marinete é abraçada por aracajuanos e visitantes desde sua criação. 05. Quadrilha Junina Localidade: Todo o estado; destaque em Aracaju e municípios do interior História: Manifestação central do ciclo junino. Sergipe sediou o IX Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas em 2024, no Ginásio Constâncio Vieira, em Aracaju. Contribuições: Alto impacto social, econômico e turístico: o Governo de Sergipe estimou a presença de mais de 1.500 quadrilheiros no campeonato de 2024 e, em 2025, destinou mais de R$ 1,5 milhão ao fortalecimento das quadrilhas juninas. 06. Bandas de Pífanos / tradição pifeira Localidade: Laranjeiras, Japaratuba, Boquim, Moita Bonita, Tobias Barreto e outras localidades História: As bandas de pífanos são conjuntos de sopro e percussão tradicionais do Nordeste; em Sergipe aparecem em encontros culturais, festejos juninos e cortejos. O IPHAN também reconhece que o pífano integra o universo instrumental das matrizes tradicionais do forró. Contribuições: Preservam repertórios instrumentais populares, práticas de cortejo e aprendizagem predominantemente oral. Em Sergipe, grupos de pífanos aparecem de forma recorrente em programações culturais, como o Encontro Cultural de Laranjeiras e palcos de apresentações juninas 07. Banda de Pífanos “Esquenta Muié” Localidade: Laranjeiras História: Grupo ligado à cena cultural de Laranjeiras. O Palácio Olímpio Campos registra que a banda de pífanos “Esquenta Muié” surgiu de uma oficina de construção de pífanos durante o XXXV Encontro Cultural de Laranjeiras, em janeiro de 2010. Contribuições: Impacto em formação musical e continuidade da tradição pifeira. Ao contrário de outras Bandas de Pífano, na “Esquenta Muié”, os músicos tocam por partitura. O grupo é citado em estudos e materiais de educação musical ligados às manifestações culturais sergipanas. 08. Samba de Coco da Ilha Mem de Sá / Samba de Coco Nova Geração Localidade: Ilha Mem de Sá, Itaporanga d’Ajuda História: Manifestação de dança de roda, canto em coro e refrão, com pandeiros, bumbo, ganzás, cuícas e palmas. O Governo de Sergipe registra que o samba de coco da região é passado de geração em geração e praticado por pescadores e mulheres ribeirinhas. Contribuições: Fortalece identidade ribeirinha, turismo de base comunitária e memória local. Pesquisa sobre a Ilha Mem de Sá registra que o Samba de Coco Nova Geração retomou a prática após interrupção e se apresentou no Sesc, Laranjeiras, Orla de Aracaju, Itaporanga, Japaratuba e Tobias Barreto. 09. Samba de Coco do Mosqueiro Localidade: Mosqueiro, Aracaju História: Manifestação tradicional da zona de expansão de Aracaju. Mestre Diô, Rosualdo da Conceição, é reconhecido como mestre do Samba de Coco do Mosqueiro; a Alese registra que ele conduz o grupo há 52 anos e que o grupo possui 26 brincantes. Contribuições: Impacto em participação comunitária e transmissão popular: a Prefeitura de Aracaju registra que a apresentação envolve o público e permite que qualquer pessoa entre na roda e sambe. Em 2025, Mestre Diô foi incluído entre os contemplados pelo Programa de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana. 10. Samba de Coco / Samba de Pareia da Mussuca Localidade: Povoado Mussuca, Laranjeiras História: Manifestação quilombola ligada à comunidade Mussuca, em Laranjeiras. O Governo de Sergipe registra tradição de mais de 300 anos, comunidade remanescente de quilombo reconhecida oficialmente desde 2006, e grupo com 42 anos de resgate, liderado por Mestra Dona Nadir. Contribuições: Símbolo de resistência afro-brasileira e quilombola; valoriza mulheres, dança em pares, percussão, canto e memória comunitária. Pesquisa da UFS descreve o Samba de Pareia como prática cultural da comunidade quilombola Mussuca, formada prioritariamente por mulheres, com homens na execução musical. 11. São Gonçalo da Mussuca Localidade: Mussuca, Laranjeiras História: Dança de São Gonçalo existente no povoado Mussuca, estudada desde a década de 1970. O Sesc-SP registra que a Dança de São Gonçalo da Mussuca foi descrita em 1976 em estudo etnográfico que compôs a Coleção Cadernos de Folclore. Contribuições: Impacto em religiosidade, música, dança, pertencimento quilombola e festivais culturais. Pesquisa da UFS trata o São Gonçalo da Mussuca em perspectiva etnomusicológica, considerando os aspectos musicais como vetor de transformação e permanência do grupo. 12. Samba de Roda Localidade: Riachuelo e outras localidades sergipanas História: O Samba de Roda de Riachuelo é registrado como atividade da Associação Brasileira Cultural Irmãos Unidos; a transmissão ocorre pela oralidade e pelo canto. Contribuições: As mulheres são protagonistas no Samba de Roda de Riachuelo. A manifestação repassa mensagens entre gerações e fortalece a memória afro-popular. 13. Samba de Aboio de Santa Bárbara Localidade: Povoado Aguada, Carmópolis História: Manifestação ligada ao Terreiro Santa Bárbara, em Carmópolis. Estudos registram o Samba de Aboio Santa Bárbara como celebração de Santa Bárbara/Iansã e da libertação dos escravizados, realizada uma vez por ano no fim da Semana Santa. Contribuições: Impacto em memória afro-brasileira, religiosidade e preservação de comunidade tradicional. Registros jornalísticos apontam mais de 130 anos de tradição, com tambor, ronco da onça, ganzás e cantos que narram a história do povo negro. 14. Bacamarteiros do Povoado Aguada Localidade: Aguada, Carmópolis História: O Batalhão de Bacamarteiros do Povoado Aguada surgiu por volta de 1780 e é reconhecido como uma das mais antigas manifestações folclóricas de Sergipe. O Governo do Estado reconheceu o grupo como patrimônio cultural imaterial em 2016. Contribuições: Forte impacto intergeracional: a manifestação é passada de pai para filho e reúne homens, mulheres e crianças. Registros indicam cerca de 80 componentes e apresentações no São João e no São Carmópolis, atraindo multidões. 15. Aboio e Toada Localidade: Sertão sergipano; vaquejadas e festas de vaqueiro História: O Aboio e a Toada são cantos de vaqueiros do Sertão Sergipano. Artigo da Associação Brasileira de Educação Musical (HARDER, et.al) descreve práticas como cantar em uníssono, em terças, improvisação e repente. Contribuições: Reforçam a identidade do vaqueiro, da lida com o gado e das festas sertanejas. O aboio é descrito como canto com que vaqueiros guiam boiadas ou chamam bois dispersos, integrado ao cotidiano dos vaqueiros e suas famílias. 16. Festa do Vaqueiro / Vaquejada de Porto da Folha Localidade: Porto da Folha História: A Prefeitura de Porto da Folha realizou em 2025 a 53ª Festa do Vaqueiro, entre 25 e 29 de setembro, com programação que une tradição, música e valorização da cultura sertaneja. Contribuições: Impacto em turismo, economia local, cultura sertaneja e preservação da figura do vaqueiro. A Prefeitura chama o evento de maior festa de gibão do Brasil e destaca cultura, tradição, preservação das origens, música e alegria. 17. Reisado de Sabal / Reisado do Marimbondo Localidade: Povoado Marimbondo, Pirambu História: O Reisado do Marimbondo mantém tradição iniciada em 1805, segundo registro da Prefeitura de Aracaju. A manifestação é de matriz portuguesa, ligada ao ciclo natalino, ao nascimento de Jesus e ao Dia de Reis. Contribuições: Forte transmissão familiar e comunitária. O Reisado de Sabal (ou Sabau) é associado ao Povoado Marimbondo, em Pirambu, com mais de dois séculos de história e continuidade por gerações. 18. Reisado do Mosqueiro Localidade: Mosqueiro, Aracaju História: Grupo de Reisado da região do Mosqueiro, organizado por Dona Helena em registros acadêmicos e culturais. Em 2016, reportagem registrou grupo com 19 componentes, formado a partir da convivência de senhoras da região. Contribuições: Impacto em sociabilidade, memória de mulheres e envelhecimento ativo. A participação no grupo foi descrita pelas integrantes como forma de sair de casa, conviver, preservar cultura e manter alegria coletiva. 19. Reisados em Sergipe — matriz geral Localidade: Laranjeiras, São Cristóvão, Aracaju, Pirambu, Japaratuba, Moita Bonita, Itaporanga, Pinhão, Poço Verde, Riachão do Dantas, Simão Dias, Frei Paulo/Catuabo História: O Reisado acontece no ciclo natalino e de Santos Reis, com música, dança, personagens e teatralidade. Em Sergipe, registros oficiais citam grupos como Baile Estrela, Cheirosa do Quilombo, Reisado da Paz, Reisado São José e Estrelinha do Nordeste. Contribuições: Mantém cortejos, teatro popular, oralidade, religiosidade e aprendizagem entre gerações. Em São Cristóvão, por exemplo, o Reisado da Paz participa da Festa de Santos Reis, com cortejo da Igreja do Rosário dos Homens Pretos à Praça São Francisco. 20. Cacumbi de Batinga Localidade: Japaratuba História: O Cacumbi de Batinga é citado como o grupo mais antigo entre os grupos folclóricos de Japaratuba, representando antepassados nas festividades de Santos Reis. Contribuições: Impacto em memória ancestral, religiosidade popular e transmissão familiar. Reportagem local registra que o grupo Cacumbi de Batinga está ligado à família do Mestre Batinga e à cultura de Japaratuba. 21. Batalhão do Rosário Localidade: Rosário do Catete História: Manifestação ligada a Rosário do Catete e ao Mestre João. A UFS realizou evento especial com “A história do Batalhão de Rosário”, reconhecendo o grupo como saber tradicional sergipano. Contribuições: Impacto em cultura local, música, tradição e participação de pessoas idosas. A TV Sergipe registrou que, no Batalhão do Rosário, a terceira idade “brilha” com música e tradição. 22. Frevo no Carnaval de Neópolis Localidade: Neópolis História: Neópolis é conhecida como Capital Sergipana do Frevo e mantém a tradição do bloco Zé Pereira nos carnavais. A Prefeitura registra a cidade como capital sergipana do frevo. Contribuições: Impacto turístico e econômico no carnaval de rua. O carnaval de Neópolis é marcado por frevo, marchinhas, blocos de rua e mela-mela; há registros de cobertura televisiva do frevo e do mela-mela no município. 23. Ilariô de Pirambu Localidade: Pirambu História: O Grupo Folclórico Ilariô foi criado em 26 de agosto de 1994 em Pirambu. A Lei nº 9.397/2024 declarou o Grupo Folclórico Ilariô como Bem de Interesse Cultural de Sergipe. Contribuições: Impacto em turismo, dança de roda, samba de coco, samba de roda e memória comunitária. A justificativa legislativa registra que o grupo possui repertório de aproximadamente 100 músicas, apresentação em cortejo e grande roda, e promove o turismo e a história cultural de Pirambu. 24. Festa / Procissão de Bom Jesus dos Navegantes Localidade: Aracaju, Propriá, Neópolis e outros municípios História: Procissão fluvial realizada em vários municípios sergipanos no mês de janeiro. Em Aracaju, ocorre no dia 1º de janeiro e percorre o estuário do rio Sergipe; em Propriá e Neópolis, ocorre no rio São Francisco. Contribuições: Impacto em turismo religioso, identidade ribeirinha e cultura fluvial. A Prefeitura de Aracaju considera a procissão de Bom Jesus dos Navegantes, com seus ritos e músicas como parte do potencial turístico religioso da capital. Estudo acadêmico registra a procissão de Aracaju como festa religiosa realizada desde 1856. 25. Lambe-Sujo e Caboclinhos Localidade: Laranjeiras e Itaporanga d’Ajuda História: Manifestação afro-indígena, teatral, musical e de cortejo, ligada à memória de negros escravizados e indígenas. É tradicionalmente associada ao mês de outubro Contribuições: [Campo não preenchido no material original]